“Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”. O existir é um perpétuo mudar, um estar constantemente sendo e não-sendo, um devir perfeito; um constante fluir...

Se gosta seja amigo :) Namasté!

12 de outubro de 2010

Ser como um rio que flui




Voltei a ser Siala...nunca o deixei de ser.

Por vezes é necessário dar-mos um passo atrás, pararmos, para melhor vermos o caminho e decidirmos em consciência se é esse o nosso caminho, ou se foi uma exploração de um atalho que nos suscitou curiosidade. Saber distinguir é essencial. Não há lugar para orgulhos, remorsos, medos, ou outros sentimentos que tais. Se eles existem basta respirar, respirar, respirar, até calarmos a voz do ego e deixarmos fluir a voz do "Eu".
Dar um passo atrás é um acto de coragem, embora muitos o julguem como um acto de cobardia. Não interessa o que os outros julgam. Só quem caminha sabe. E mais há que caminham e também sabem. Não devemos nunca reger-nos por aquilo que emana abaixo, mas sim por tudo o que emana acima. Esse é o primeiro passo para a verdadeira libertação, para o quebrar de padrões que nos aprisionam numa vibração baixa. Porque tudo é energia. Eu e tu somos energia. E a energia não conhece limites.
Se decidirmos que o atalho é na verdade o caminho, devemos segui-lo então, na certeza que estamos no trilho certo para enriquecermos a nossa existência com as lições que formos encontrando...
Se o atalho não passou disso, então devemos fechar os olhos, inspirar fundo, seguir a nossa intuição e rumar sem medos face a um novo desconhecido, na certeza que não perdemos tempo ao desviar-mo-nos, antes ganhámos conhecimentos e experiências imprescindíveis ao caminho que nos aguarda.
Tudo é como tem que ser, nenhum passo é desperdiçado. O Universo é sábio...falta ao homem a confiança em si mesmo como ser de luz experimentando a matéria...


Ser como um rio que flui

“Um rio nunca passa duas vezes pelo mesmo lugar” diz um filósofo. “A vida é como um rio”, diz outro filósofo, e chegamos à conclusão que esta é a metáfora mais próxima do significado da vida. Por consequência, é sempre bom lembrar durante todo o próximo ano:
A] Sempre estamos diante da primeira vez. Enquanto nos movimentamos entre a nossa nascente (o nascimento) ao nosso destino (morte), as paisagens serão sempre novas. Devemos encarar todas estas novidades com alegria, e não com medo – porque é inútil temer o que não se pode evitar. Um rio não deixa de correr jamais.
B] Em um vale, andamos mais devagar. Quando tudo à nossa volta fica mais fácil, as águas se acalmam, nos tornamos mais amplos, mais largos, mais generosos.
C] Nossas margens sempre são férteis. A vegetação só nasce onde existe água. Quem entra em contacto connosco, precisa entender que estamos ali para dar de beber a quem tem sede.
D] As pedras precisam ser contornadas. Evidente que a água é mais forte que o granito, mas para isso é preciso tempo. Não adianta deixar-se dominar por obstáculos mais fortes, ou tentar bater-se contra eles; gastaremos energia à toa. O melhor é entender por onde se encontra a saída, e seguir adiante.
E] As depressões necessitam paciência. De repente o rio entra em uma espécie de buraco, e pára de correr com a alegria de antes. Nestes momentos, a única maneira de sair é contar com a ajuda do tempo. Quando chegar o momento certo, a depressão se enche, e a água pode seguir adiante. No lugar do buraco feio e sem vida, agora existe um lago que outros podem contemplar com alegria.
F] Somos únicos . Nascemos em um lugar que estava destinado para nós, que nos manterá sempre alimentados de água o suficiente para que, diante de obstáculos ou depressões, possamos ter a paciência ou a força necessária para seguir adiante. Começamos nosso curso de maneira suave, frágil, onde até mesmo uma simples folha pára nosso curso. Entretanto, como respeitamos o mistério da fonte que nos gerou, e confiamos em sua Eterna sabedoria, aos poucos vamos ganhando tudo que nos é necessário para percorrer nosso caminho.
F] Embora sejamos únicos, em breve seremos muitos. À medida que caminhamos, as águas de outras nascentes se aproximam, porque aquele é o melhor caminho a seguir. Então já não somos apenas um, mas muitos – e há um momento em que nos sentimos perdidos. Entretanto, como diz a Bíblia, “todos os rios correm para o mar”. É impossível permanecer em nossa solidão, por mais romântica que ela possa parecer. Quando aceitamos o inevitável encontro com outras nascentes, terminamos por entender que isso nos faz muito mais fortes, contornamos os obstáculos ou preenchemos as depressões em muito menos tempo, e com muito mais facilidade.
G] Somos um meio de transporte. De folhas, de barcos, de ideias. Que nossas águas sejam sempre generosas, que possamos sempre levar adiante todas as coisas ou pessoas que precisarem de nossa ajuda.
H] Somos uma fonte de inspiração. E portanto, deixemos para um poeta brasileiro, Manuel Bandeira, as palavras finais:
“Ser como um rio que flui
Silencioso no meio da noite
Não temer as trevas da noite
Se há estrelas no céu, reflecti-las.
E se o céu se enche de nuvens
Como o rio, as nuvens são água;
Reflecti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.”

5 comentários:

Patrícia Melo disse...

A atitude do rio é de aceitação e entrega e isso resume algumas ou todas as fases de nossa vida.
Como é difícil desapegar-nos... mas é preciso... pois achamos que estamos no controle de tudo e não é bem assim...

Beijos Siala, namastê.

Astrid Annabelle disse...

Siala, bom dia aqui e boa tarde aí!
Maravilhoso texto...
maravilhoso!!!
Caminhemos...
Beijo grande
Astrid Annabelle

Siala disse...

Patrícia, não é realmente fácil, e por vezes o desapego é mal interpretado pelos outros...o controlo não existe rsss é apenas uma ilusão e também a raíz de muitas frustrações e vidas desperdiçadas...
Namastê!

Siala disse...

Querida Astrid...é possível ter saudades de alguém com quem nunca estivemos fisicamente nesta vida? Acontece-me muito com vc e com a Maria Izabel :)
Um beijo enorme!
Namastê!

William Garibaldi disse...

Belíssimo, Ser como um rio, eu sou um rio! que flui! Amei esta tua verdade, e a maneira como escreve! Um Grande Beijo! Estamos nesta Caminhada de retorno para as estrelas! William.