“Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”. O existir é um perpétuo mudar, um estar constantemente sendo e não-sendo, um devir perfeito; um constante fluir...

Se gosta seja amigo :) Namasté!

15 de setembro de 2009

Karma visto por um céptico


As minhas pesquisas sobre o tema Karma continuam :) uma verdadeira pesquisa tem que ser antes de mais 100% imparcial.
Aqui fica mais uma perspectiva para discussão...algo polémica por ir contra o "espiritualmente correcto" (António, não resisti a "roubar-te" esta expressão lol)gostava de ter as vossas perspectivas.

Karma é uma lei do Hinduísmo que defende que qualquer acto, por mais insignificante, voltará ao individuo com igual impacto. Bom será devolvido com bom; mau com mau. Visto os Hindus acreditarem na reencarnação, o karma não conhece limites de vida/morte. Se o bem e o mal caem sobre si, se as pessoas se comportam de determinado modo consigo, isso deve-se ao que fez nesta ou numa vida passada.

Por um lado, o karma serve para explicar porque acontecem coisas boas a pessoas más e coisas más aos bons. A injustiça do mundo, a distribuição aparentemente ao acaso do bem e do mal é apenas aparente. Na verdade todos recebem o que merecem. Mesmo a criança brutalizada por adultos merece esse horror. Os atrasados mentais, os milhões de Judeus mortos pelos nazis, merecem-no pelo que fizeram no passado. O escravo espancado até à morte merece-o, não pelo que faz agora, mas pelo que fez numa vida passada. O mal é racional, de acordo com a lei do karma.

Apesar de não haver provas de karma e que essa crença não se baseia em mais que no desejo de que o mal deste mundo faça sentido, a ideia do karma é popular entre as culturas ocidentais onde se separou das suas raízes hindus. Os teósofos, por exemplo, acreditam no karma e na reencarnação. Também James Van Praagh, que afirma ser um condutor psíquico para os biliões de pessoas que morreram ao longo dos séculos.

Digamos que alguém mata outro... num multibanco... Podem ser duas coisa. A pessoa que cometeu o crime usou o seu livre arbítrio para o fazer. Ou, e isto pode parecer estranho, pode tratar-se de uma situação kármica em que a pessoa assassinada teve de pagar o ter morto alguém numa anterior incarnação.

Van Praagh deixa claro que pensa que é o karma, não o livre arbítrio, que leva as pessoas a matarem-se umas às outras. Se Van Praagh está certo, podemos desmantelar os nossos sistemas de ética e de justiça criminal. Ninguém é realmente bom ou mau. É apenas o nosso karma. Ninguém é realmente responsável por nada do que faz. Somo apenas peões karmicos dançando com o destino. Mas porque é que um principio amoral como o karma deve ser apresentado como explicando a injustiça máxima num universo indiferente? Porque, diz Van Praagh, "Estamos nesta Terra para aprender lições. Esta é a nossa escola primária... Devemos passar certas lições para crescermos." De acordo com Van Praagh, a vida na terra é uma vida no purgatório. Estamos a sofrer dos nossos pecados, a evoluir as almas. Estas são as mesmas razões que os teólogos dão para a existência do mal num mundo alegadamente criado por um Deus todo-poderoso e todo-bondade.

Puxando um pouco as afirmações, hindus, teosofistas e teólogos (os que tentam justificar os desígnios do Senhor) todos apelam ao "mistério" de tudo isto. Mas não há mistério no mal se reconhecemos que não há propósito na vida, não há vida depois da morte, não há recompensas no Céu nem punições no Inferno, não há Nirvana. Embora possa não haver sentido na vida, pode haver vidas com sentido. A crença no karma, contudo, não é essencial para uma vida com sentido. De facto, o karma parece tornar a vida trivial, uma mera "lei" metafisica que reduz os humanos a criaturas desumanizadas, desprovidas de moral e responsabilidade. O Karma não permite que o mal que cai sobre si possa ser imerecido. Isto é uma verdade que os fracos não conseguem olhar de frente. O Karma não permite que o bem que recebe possa ser merecido. Isto é uma verdade que os impotentes e desadequados conseguem olhar.

Como tal noção se tornou uma verdade essencial numa das grandes religiões? Como ganhou audiência fora da Índia? É uma lei para carneiros. Não nos admiremos que os pastores a defendam. É uma lei para passivos, para os que não perturbam o status quo, que aceitam qualquer mal como "natural" e inevitável. Karma é uma lei para escravos, para conquistados, e não foram os escravos que inventaram os dogmas religiosos. Os seus donos sabiam o que faziam. Aceitar o mal que lhes aconteça. ser bom, isto é, aceitar as ordens do dono e comportar-se de maneira ordeira. Que camponês pensaria que devia ter havido uma primeira vida sem vidas passadas? Como funcionava o karma nessa altura? Se não funcionava ou não era necessário então, porque era necessário para as outras vidas? Os mestres teriam as respostas. Teem sempre. São os donos da linguagem. Usando o poder das palavras podem reconciliar leis inexoráveis com liberdade. Podem fazer as contradições parecerem tautologia. E se os mestres não tivessem as respostas, podiam sempre calar os que se atreviam a perguntar o que não compreendiam. É um mistério e toda a gente gosta de mistérios! E se isso não funcionasse havia sempre a morte. Geralmente isso cala os dissidentes e os perturbadores.

--------------------------------------------------------------------------------

Links

"Karma" - Hinduism Today
"Karma," por Paul Edwards em The Encyclopedia of the Paranormal editado por Gordon Stein (Buffalo,
N.Y.: Prometheus Books, 1996).

7 comentários:

Maria Paula Ribeiro disse...

Olá Amiga!

Belo texto. Boa explicação.
Gostei muito!
Beijo de luz

Siala ap Maeve disse...

Amiga, eu também gostei lol mas shhhhhiuuuu que tenho que me manter imparcial!
Bjos de luz

António Rosa disse...

Siala,

Sei que eu próprio não ando numa fase muito clara, por isso só deixo este comentário:

Imprimi o texto para o ler em casa longe do computador. Depois volto para deixar o que senti e pensei.

Gostei muito.

Beijo

António Rosa disse...

Siala

Sei que leste o meu post, Vozes Sábias (clicar) por isso aceita estas palavras como um pedido para publicares um texto na Cova do Urso.

As 'regras' são muito simples:

- total liberdade temática, nível de extensão de texto que entenderes e o pedido para me enviares o texto acompanhado da(s) ilustração(ões) que entenderes.

- publicitarei a postagem na barra direita do meu blogue.

Meu email:

covadourso@gmail.com

Beijo

Siala ap Maeve disse...

Antonio, pelo que percebi estamos todos a atravessar uma fase de grande regeneração a todos os niveis, em todos os corpos...por aqui não está a ser facil, mas se fosse eu estranhava e ficava de pé atrás lol
Quanto ao teu convite, será uma honra participar...mas não faço a minima ideia sobre o que vou escrever. Prazos?
Beijos de Luz

Maria de Fátima disse...

Olá Siala, lindo texto.Beijocas.

António Rosa disse...

Siala,

Sem prazos. Pode ser uma coisa mais antiga que aqui tenhas e que gostes muito. kiss