“Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”. O existir é um perpétuo mudar, um estar constantemente sendo e não-sendo, um devir perfeito; um constante fluir...

Se gosta seja amigo :) Namasté!

24 de janeiro de 2011

Vivências...




Éramos crianças. Magras, enfezadas, 7 ou 8 anos talvez. A pele castanha, os olhos enormes e salientes nos rostos sorridentes. Estaríamos talvez na India?
O corpo era coberto apenas por um farrapo sujo que fazia de tanga. Barulho. Muito barulho e movimento á nossa volta, estávamos num mercado de rua, a poeira, os aromas exóticos de especiarias e comida mesclavam-se com os odores fortes dos corpos suados.
Inseparáveis. Amigos. Algo me faz crer que apenas nos tínhamos um ou outro, 2 meninos que com a esperteza imposta por uma vida difícil sobreviviam dia após dia...
Olho mais á frente, e vejo uma porta enorme, de madeira escura, reforçada por barras de ferro. Já são adultos...jovens...mantêm-se unidos. Algo aconteceu na cidade, inspiro e sinto o cheiro do medo...há soldados que patrulham os caminhos...pelas vestes assemelham-se a romanos, mas não são romanos.
Passam por eles dissimulados, mas há um soldado que repara em mim, e prontamente me agarra um braço e faz parar. Não percebo a língua que falam. Mas sei que acabara de ser apanhado...o meu amigo tem hipótese de fugir , mas fica comigo.
O tempo rodopia. Apresentam-nos a uma plateia de pessoas ricamente vestidas, lavadas e perfumadas... Estamos ao ar livre, e algo vai acontecer. O meu amigo estava fraco, podia sentir que desistira de lutar. Do medo e da certeza que tudo iria acabar em breve retiro a força para me erguer e falar àquela gente. Sei que alguns perceberam o que eu disse pois por momentos os seus semblantes reflectiram as minhas palavras.
Mesmo condenado, mantinha uma calma que só a fé permite ter...fé em quê? Não sei e penso que nem ele/eu saberia naquela vida.
Não sei o que aconteceu, mas senti uma paz enorme. Já não estou ali...olho para outro quadro diferente. Estamos num palco, numa época bem mais actual. Representamos. Sinto-me tão feliz...nervosa, mas extremamente feliz. O público bate palmas, e o meu sorriso atinge-me com uma onda de felicidade que me surpreende!
Quando o pano desce ele que eu não sei quem é vira-se para mim e diz: - estás a ver? Tu tens apenas que acreditar que és capaz, acreditar mais em ti mesma e pôr de lado a insegurança. Mal te estendi a mão e dei a deixa tu é que tomaste conta do palco!
E eu sorrio...e não consigo esquecer aquela felicidade imensa que me aqueceu a alma!


5 comentários:

William Garibaldi disse...

Siala!!!! Que texto é esse??? Show!
Na verdade sempre estamos no Grande Palco do Universo... né...

Sabe que sempre te liguei a Índia, especialmente a época onde a Índia o Egito e a Atlântida eram Impérios tecnológicos com seus Vimanas... e carros voadores... tem um livro ( que não li, só ouvi histórias sobre ele... )

Este texto vou ler e reler..
estou precisando sair da ilusão...
entender que eu estou no palco...
apenas isto..
em paz!

Beijos de Luz!

arKana disse...

Olá Siala,
uau!! melhor que as minhas viagens no tempo... muito melhor!!
promete 2011 para ti!
Beijo e Namasté!

Siala disse...

William :) pois é...eu também sempre senti um fascínio enorme pela Índia, Egipto e Atlantida...
Resolvi "fazer a vontade" aos meus guias e abrir-me ás memórias de minhas outras vivências. Resolvi ir postando os resultados, como forma de registo e também para receber os imputs que os leitores quiserem partilhar comigo.
Não é fácil estar no palco mas se estamos cá é porque somos capazes...e sim, ao termos isso sempre presente há uma paz que nos abraça.
O seu comentário foi muito importante!
Namasté

Siala disse...

arKana, mal me conectei as informações têm chegado assim, em sonhos que não são sonhos...há muito que os meus guias me pediam este passo. Mas só agora tive a coragem de o dar...inspirada também pela tua coragem e da MP ;) E porque quando estamos em paz connosco mesmos tudo fica mais fácil!
Beijos! Já agora...eu estou em Oeiras/Lisboa, mas as minhas raízes familiares estão no Minho e Beira Alta ;)

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Que lindo Siala. Seu post tem lembranças de outras existências, não é? só quem viveu sabe o que é.
e era um momento feliz, de muita emoção, por isso marcou

(amiga, eu não esqueci do desafio dos sete, viu? vc acredita, ainda não tive tempo de preparar o post, estou só postando o que tinha deixado em rascunho rs, me perdoe. logo postarei!)
bjs e bom dia