“Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”. O existir é um perpétuo mudar, um estar constantemente sendo e não-sendo, um devir perfeito; um constante fluir...

Se gosta seja amigo :) Namasté!

9 de julho de 2008

A lei da atracção e os trânsitos astrológicos


Vale a pena ler! António, mais uma vez um texto do teu site, que continua a ser de visita obrigatória :) Um beijo e continuação do excelente trabalho!
Por Paulo Costa


Todos vocês conhecem estes dois conceitos: a lei da atracção e os trânsitos astrológicos. Independentemente disso irei dar a minha definição relativa a estes dois conceitos. O da lei da atracção baseia-se na materialização de pensamentos / sentimentos. Nós atraímos para a nossa vida o que pensamos ou que sentimos.
Exemplo: O senhor A acorda bem disposto, sorridente e cheio de força no dia X. Vai tomar banho e vê que não tem gel para o duche, sorri e lava o corpo com shampoo. Ao vestir-se rasga a camisa, tira-a e veste outra e pensa se calhar a camisa rasgou-se por estar velha e é um sinal que precisa comprar mais camisas.
Quando chega ao trabalho o seu PC não funciona e ele espera pacientemente pelos informáticos para arranjarem a máquina. Enquanto espera por eles vai actualizando a sua lista de contactos. Enquanto fazia isso, nota que havia um contacto que precisava de telefonar e enquanto conversa com ele depara-se-lhe uma oportunidade de negócio óptima.
Chega a casa e repara que não tem comida, o que o lembrar-se de ligar a uma amiga para ir jantar fora. Tem um excelente jantar… (o resto fica para a vossa imaginação).
Agora vejamos o exemplo do mesmo senhor B no mesmo dia X em que ele acorda rabugento e maldisposto: ao ver que não tem gel de banho, amua e não toma banho, ficando com o cabelo estilo “ninho de ratos”. Ao vestir-se rasga a camisa… grita, esperneia e bate com o joelho na esquina da mesinha de cabeceira. Vai a coxear para o trabalho.
Chega ao trabalho e o PC não funciona. Refila com toda a gente e por fim chama os informáticos. Enquanto estes arranjam o PC vai buscar um café (note-se as propriedades relaxantes da cafeína) e enquanto faz isso, de mau humor o chefe passa por ele e faz um reparo ao seu cabelo, AKA ninho de ratos.
Ao chegar a casa, já tarde, uma vez que passou a maior parte do dia a fazer pesquisa para tentar encontrar oportunidades de negócio, notou que não tinha comida e vai ao minimercado do bairro encontrando-o já fechado. Refila e volta para casa, mandando vir uma pizza, a qual come sozinho e às escuras, pois às 11 da noite faltou a luz…
Este exemplo pode parecer um pouco exagerado (perdoem o meu ascendente Sagitário) porém, é para mostrar um pouco a sincronicidade e o pensamento positivo (e consequentemente a facilidade de transformar coisas más em oportunidades), que fazem parte da lei da atracção.
Os trânsitos astrológicos são tendências que nos são dadas pela posição dos astros em determinada altura da nossa vida, comparando com os dados do nosso mapa astral. Uma vez que são tendências, não deverá ser possível normalmente prever acontecimentos em particular, somente possíveis tendências em determinadas áreas durante um certo espaço de tempo.
Então qual a forma de co-relacionar estas as leis dos Astros e da Atracção?
Talvez o melhor exemplo de como estas duas lei funcionam seja fazendo a comparação da vida com um jogo de computador…
A aventura começa com o nosso herói de capa e espada a procura de salvar o mundo…
O nosso herói percorre o seu caminho e encontra um monstro à sua frente (trânsito astrológico), batalhou, caiu e levantou-se de novo com mais confiança e passou o monstro (lei da atracção - vertente positiva). Continua no seu caminho e encontra um novo monstro mas desta vez enquanto luta contra ele, fá-lo com sentimentos negativos e aparece o gémeo do monstro para dificultar o caminho (lei da atracção - vertente negativa). O herói continua o seu caminho após vencer os monstros e encontra-se perante uma bifurcação (escolha)…
A estrada do lado direito é feita de pedras polidas com flores na berma e aparentemente parece a mais fácil. A estrada do lado esquerdo é irregular e feita de terra e tem um riacho por perto. O Herói hesita mas segue o que a sua intuição lhe diz… a estrada do lado esquerdo, no entanto não sabe logicamente o porque…
Com o decorrer do tempo nessa estrada longa apercebe-se que esta Estrada aparentemente suja, visto ter o riacho por perto, a sua água é mágica e dá mais pontos e energia ao nosso herói…
Enquanto continua o seu caminho e entra na floresta mágica e nota que está a mudar de forma e que lhe aparecem vários monstros, ele luta para conseguir sair dali virando sempre para a esquerda e aparecem-lhe mais monstros que o deixam no chão exausto e ele nota que ganha “asas”, porém perde a sua espada e estas asas ao contrário do que se podia pensar pesam no herói e ele não consegue voar…
Continua a lutar ensanguentado aos socos e pontapés, exausto cai no chão e grita para os monstros para desaparecerem dizendo-lhes que vai por outro caminho na floresta… Como por artes mágicas eles desaparecem e as asas que eram um peso para ele tomam a forma de grandes asas brancas tal qual como de uma águia.
O Herói consegue voar…
Isto é um trânsito astrologico. Isto pode ser considerado como um Plutão em trânsito conjunto ao Ascendente…
Então vira a fatídica pergunta: “Se e fosse um jogo de computador o final seria o mesmo?”
Na minha óptica a resposta é não. Há vários finais alternativos consoante as escolhas do jogador, porém essas escolhas estão delimitadas pelas alternativas do jogo. Existe tempo, existe um espaço delimitado, existem imensas mas finitas alternativas (o jogador pode apanhar créditos ou débitos, mas há um limite).
Citando uma marca desportiva: “LIFE IS SHORT, PLAY HARD”…

5 de julho de 2008

Parabéns Filha

(05.07.2006)
...Filha, OBRIGADA!
Por me teres dado a honra de ser tua mãe.
Por me teres escolhido.
Por teres nascido!
Pequena Guerreira,
que a luz arda sempre fulgurante no teu olhar
Que a tua arma seja a espada do amor e da firmeza
Que o teu escudo seja feito do cobre da inteligência
Que o teu manto seja tecido dos sonhos realizados
Que o teu Mundo seja a cada passo por ti criado...
e que nunca deixe de ser também um Mundo encantado.

Salve, minha pequena e linda Fada...MORGANA.

29 de maio de 2008

MÃE ESTELAR

I cry out with no reply

and I can't feel You by my side

So I'll hold tight to what I know

You're here and I'm never alone.

And though I cannot see You

And I can't explain why

Such a deep, deep reassurance

You've placed in my life

We cannot separate

Cause You're part of me

And though You're invisible

I'll trust the unseen


Sabem quando olham á vossa volta e se sentem ... aliens?
Verdadeiros outcasts entre os vossos pares? Familia, amigos...
Como se, embora agindo nesta realidade, pertencessem a outra dimensão completamente diferente?
Conhecem a sensação de serem os únicos a verem determinadas coisas?
Como se na sombra de cada gesto o gesto real se desenhasse invisível ao olhar mortal?
A ouvirem o que não é dito? Sons murmurados no eco de cada som perfeitamente proferido por lábios cerrados?
Sensação estranha esta...e contudo reconfortante pela sua já longa familiaridade.
A única coisa que mudou foi a aceitação...imaginem uma câmera de filmar que em apenas segundos percorre todos os ângulos possíveis e perspectivas inimagináveis e quando para, abrupta, é a vocês que foca. Fria e cruelmente. Uma imagem onde tudo é revelado na vertigem do movimento interrompido.
Uma vida inteira a lutar para ser igual (e pergunto-me...igual a quê?), quando na verdade tenho que aceitar e viver com a diferença que faz de mim o que eu sou, Anjo ou Demónio? Bela ou Monstro? Detentora das chaves ou Eterna perdida? Guerreira ou Covarde? Algures entre as imagens reflectidas desta casa de espelhos retorcidos, "the truth awaits"...a verdade aguarda ser resgatada.
Encontro os seus pedaços e tomo-os como meus que sempre foram. Sem os possuir integro-os e deles me visto enquanto as roupas tão usadas caiem e se desvanecem na bruma do passado marcado a cada batida do coração dorido mas ainda flamejante de vermelho imaculado.
Por vezes só me apetece fugir...mas depois penso...para onde?
Para onde fugiria eu?
E é como se a minha alma abarcasse todo o planeta sem nele encontrar o local onde poderia finalmente fechar os olhos e repousar.
E depois recordo-me...imagens flashadas em paredes negras que se cobrem do branco salgado das lágrimas que não verto, como cera derretida de velas há muito consumidas.
Uma vozinha infantil brota da chuva onde mal consigo vislumbrar o meu Eu reflectido.
"Quero ir para casa mamã...já chega."
E a dor atinge aquela que sou Eu aqui, e quase aposto que do outro lado do véu a minha essência se encolhe subitamente tomada pela angustia que lhe grito neste devastador silêncio nocturno.
E como mãe atenciosa que é, Ela, a minha Mãe de sempre e para sempre, lá me vai afagando a face e explicando olhos nos olhos que ainda não chegou a altura e que eu tenho que me comportar como uma menina crescida, forte e ser muito corajosa. Para não ter medo, pois caia as vezes que cair, ela dar-me-á sempre a mão...mesmo que eu não a veja...para seguir o meu caminho pois Ela terá sempre muito orgulho em mim.
Ao tocar a minha face adulta sinto-a molhada daquelas lágrimas que vejo brotarem dos olhos negros daquela criança impetuosa e contudo tão insegura que já fui eu.
E recordo-me de ouvir aquelas palavras tantas vezes ditas pela minha Mãe, fluírem dos meus lábios para abraçarem a minha própria filha dando-lhe as armas contudentes para desbravar os primeiros metros do seu trilho neste mundo enredado em lianas de escuridão aqui e ali rasgada pela luz cintilante dos seres de Luz que teimam em não debandar.
Á laia de despedida, o Seu sorriso estelar, cheio de brilho e de luz..."todos te aguardamos com muita saudade...todos seguimos atentamente as tuas aventuras e desventuras...rimos e choramos contigo. Nunca penses que estás só, nem por um segundo, nem por todo o tempo desse teu mundo."

Sim...eu sei que não estou só. Mas tenho saudades Tuas, e embora Tu me vejas..os meus olhos cegaram quando nasci aqui Mãe. Mas por muito cansada que me sinta sei que é a tua força que diariamente me ajuda a continuar. Passo a passo. Cada vez mais firme. No meu caminho.

PS. Este texto surgiu de fragmentos sentidos recentemente e que calei pois na altura não tinha tempo para senti-los verdadeiramente. Reunião familiar e reencontros com alguns amigos com os quais já não há muita ligação. Nasceu de uma noite de insónia e materializou-se hoje. Surpreendeu-me no seu desenvolvimento e quem sou eu para apagar o que assim se vai escrevendo?

19 de maio de 2008

O Mestre e o Escorpião


Um Mestre Oriental viu um escorpião que se estava a afogar, e decidiu tirá-lo da água mas quando o fez, o escorpião picou-o.
Como reacção à dor, o Mestre soltou-o e o animal caiu à água e de novo estava a afogar-se.
O Mestre tentou tirá-lo outra vez, e novamente o escorpião picou-o.
Alguém que tinha observado tudo, aproximou-se do Mestre e disse:
- Perdão, você é teimoso? Não entende que de cada vez que tentar tirá-lo da água será picado pelo escorpião??!
O Mestre respondeu:
- A natureza do escorpião é picar mas isso não muda a minha natureza, que é ajudar.
Então, com a ajuda de um ramo, o Mestre retirou o escorpião da água e salvou-lhe a vida.


Um miminho para os muitos escorpiões e alguns mestres que andam por aí :)

Quanto a mim, continuo na batalha diária não contra o tempo, mas contra a falta dele...o que leva a intensas negociações com o relógio para que consiga fazer todas as tarefas que têm que ser feitas no minimo espaço de tempo possível. Acho que me ando a especializar nisso e não tarda sou uma expert em fazer verdadeira magia do dia-a-dia.
Ando cansada mas feliz, aceitei as coisas que não posso mudar e emprego a minha energia a tentar mudar as que posso, e esta ligeira alteração na minha forma de estar deu-me a paz e motivação que necessito para atingir os meus objectivos. Um dia de cada vez.
Ajuda também saber que se trata de uma situação transitória. Como tudo na vida. A sua duração não depende de mim, mas a forma como é vivida e os frutos que poderá ou não dar esta fase só de mim dependem. Há que aproveitar...cada dificuldade traz em si uma oportunidade.
Tudo se encaminha na direcção há muito desejada, as peças vão-se encaixando, e pela primeira vez não tenho pressa.
Sempre apressei tudo na minha vida, impaciente como sempre fui, o que me levou a construir castelos de areia que nunca resistiram a mais que uma ou duas maresias. Agora é diferente. Talvez seja a sensação de que até agora todos acreditaram em mim mas agora que eu acredito em mim pela primeira vez, os outros desconfiam dado ao meu passado de erros crónicos.
É hora de caminhar "sózinha", sem esperar ser reconhecida por ninguém que não eu mesma, de erguer a cabeça sem medos e olhar o horizonte com infinita esperança, e em cada passo que der depositar toda a minha confiança, pois esse era um passo há muito esperado pelo Universo.
Sim. Estou pronta para recomeçar sem pressas. Com uma segurança forte e alicerçada no conhecimento do meu Eu, alicerçada na força do meu Amor, alicerçada na confiança em mim mesma e nas minhas capacidades. Afinal de contas...não foi exactamente para esse momento que toda a minha vida me preparou? Acabou a Escola. É altura de arregaçar e aplicar os conhecimentos das lições tão duramente repetidas.
E isto é o que faz toda a diferença.
Sim...estou pronta.

15 de maio de 2008

O Imperador


Símbolos
Trono, cabeça de carneiro, ceptro, globo. Por vezes a águia.

A Historia
O Louco* (representa sempre o questionador) recebeu opções do Magico e decidiu-se por uma delas com a ajuda da Papisa (ou Grande Sacerdotisa). Ele aprendeu a desenvolver essa opção com as indicações da Grande Imperatriz. Agora necessita de gerir a opção escolhida. Como fazê-lo? Ele aproxima-se do Grande Imperador, que se encontra sentado num trono de pedra. Ele maravilha-se com a forma como o Imperador é prontamente obedecido de forma inequívoca e alegre e como o seu Império se encontra bem dirigido. Respeitosamente ele pergunta ao Imperador como ele consegue tudo aquilo. A resposta não tarda " Vontade forte e Fundações sólidas, está muito certo ser-se sonhador, criativo, instintivo, paciente; mas para se ter verdadeiramente o controlo das situações, uma pessoa tem que estar alerta, ser-se bravo, ter espirito de iniciativa e ter uma certa dose de agressividade."
Finalmente preparado para liderar em vez de ser apenas liderado, o Louco segue caminho com um novo propósito e rumo.

Significado Básico
Como Carneiro, o Imperador segue-se naturalmente á Imperatriz grávida. Carneiro é a criança, o primeiro signo do Zodíaco. Como criança que é, ele é entusiasta, enérgico, agressivo. É directo, confiante e a maioria das vezes irresistível. Infelizmente, como bebé que é, também pode ser um tirano, impaciente, exigente e muito controlador. Nas melhores circunstancias ele é o Líder que todos querem seguir, sentado num trono que indica fundações sólidas de um Império criado por ele de raiz, e que ele ama e governa com inteligência e entusiasmo. Mas esse trono pode também ser uma armadilha, uma responsabilidade pesada que faz o Imperador sentir-se aborrecido e descontente.

Observação
A carta do Imperador é a carta "Who's the boss?"
Esta é a uma questão fundamental.
O significado desta carta inclui o estar-se em controlo em relação ao ambiente circundante, ao nosso corpo, à nossa mente e temperamento, aos instintos, à vida amorosa.
Esta não é a altura de ceder ao subconsciente, de se ser controlado por outras vontades ou necessidades. É a carta que dá ao Questionador permissão para ser agressivo, bravo, confiante e para assumir o comando. o Imperador pode ser a figura do pai, líder ou patrão, que pode ser tanto um Tirano exigente como um Rei carismático.
Se a carta é directa ao Questionador, é altura para olhar o seu Império e avaliar se é um reino próspero e agradável, ou se este se tornou um sitio desagradável, e caso afirmativo, se ele é um mau líder, sempre a exigir e sempre descontente e infeliz. Nesse caso, é altura de abdicar do Trono.
Significados positivos:
Poder, estabilidade, progresso material, realização, honestidade, segurança, apoio, organização, convicção, protecção, conquista de metas, força de execução, vontade, forte autoridade, poder público, a lei, perseverança, força resoluta, certeza, o verdadeiro mago, não tem medo de nada, controlo emocional, sabedoria, espiritual, não admite cobranças.
Com o ceptro na mão direita fechada, ele olha com firmeza, representando a força por meio do sucesso material. Tem sabedoria e senso de justiça para lidar com todos os assuntos. Exerce respeito sobre as outras pessoas, mas necessita sempre do apoio de alguém superior para se realizar profissionalmente.
Significados negativos:
Imaturidade, falta de energia, indecisão, incompetência, futilidade, limitação, dogmatismo, fraqueza de caráter, imobilismo, medo da autoridade, perigo, medos, ingenuidade, o tirano, na saúde indica problemas de fígado, stress e vesícula.

LETRA HEBRAICA - DALETH - Símbolo do mistério do poder. Dispõe da sua saúde e da sua vida e pode também dispor das dos outros. "O tetagrama".

AXIOMA - "Bem diga o trabalho de tuas mãos e no do pensamento coloque o coração..."

* O Louco, carta 0 : Com todas as suas posses num pequeno saco, o Louco enceta um caminho sem rumo definido. Ele encontra-se tão cheio de visões e sonhos que não parece aperceber-se do abismo onde pode cair. Aos seus calcanhares um pequeno cão tenta alertá-lo para o passo em falso. Esta é a carta das possibilidades infinitas. O saco que carrega significa que ele tem tudo o que necessita para fazer e ser aquilo que ele quiser. Ele está no caminho para um novo começo, mas esta carta tem em si mesma um alerta: parar de fantasiar e de sonhar com os olhos abertos, e estar atento ao caminho e aos passos que dá, caso contrário cairá e acabará por parecer um louco.
No espaço de um mês e meio, é a terceira vez que me calha o Imperador...ainda da ultima vez eu dizia-te G. que esta carta estava a sair novamente porque havia algo que eu não tinha compreendido á primeira...assumir o controlo que sempre temi, fugindo da situação encoberta com a desculpa de "eu não consigo fazer isto e vou errar" e dessa forma correndo cegamente para o abraço do erro sucessivo . :)

8 de maio de 2008

O Julgamento


JUDGEMENT
Basic Card Symbols

Angel, trumpets, graves with people rising from them, often water or an ocean.

Basic Tarot Story

As the Fool leaves the garden of the Sun, he feels that he is near the end of his journey, ready to take a final step. But something is keeping him from doing this, holding him back. He gazes up, hoping to find guidance from the Sun; instead he sees above him a fiery angel, beautiful and terrible.

"You are right," the Angelic figure confirms, "you have only one last step on your journey, one final step to completion. But you cannot take that step until you lay your past to rest." The Fool is perturbed. "Lay it to rest? I thought I'd left it behind, all of it," he says. "There is no way to do that," The Angel observes. "Each step wears down the shoe just a bit, and so shapes the next step you take, and the next and the next. Your past is always under your feet. You cannot hide from it, run from it, or rid yourself of it. But you can call it up, and come to terms with it. Are you willing to do that?"

The Angel hands the Fool a small trumpet. The Fool is hesitant, but he knows that this is a final decision. Either to go forward, or stay where he is. He blows, and the trumpet's song echoes across the sky, its vibrations seeming to crack open the Earth. From under the Fool's feet, memories rise. Images of his innocent youth, challenges, loves, failures, losses, success, disillusionment and wisdom.

For the first time, he does not try to leave them, ignore or forget them, but accepts them. They are, he sees, nothing to fear. They happened, but they are gone now. He, alone, carries them into the present. With that understanding, the memories vanish. Though they remain in his mind, they no longer have any power over him. He is free of them, reborn, and wholly in the present.

Basic Tarot Meaning

With Fire as its ruling element (or Pluto as its ruling planet), Judgement is about rebirth, ressurection. The idea of Judgement day is that the dead rise, their sins are forgiven, and they move onto heaven. The Judgement card is similar, it asks the resurrection to summon the past, forgive it, and let it go. There are wounds from the past that we never let heal, sins we've committed that we refuse to forgive, bad habits we haven't the courage to lose. Judgement advises us to finally face these, recognize that the past is past, and put them to rest, absolutely and irrevocably. This is also a card of healing, quite literally from an accident or illness, as well as a card signaling great transformation, renewal, change.

Thirteen's Observations

Judgement is often a hard card to read; it usually signals just a big change, that involves leaving something old completely behind and stepping into something completely new. Like closing the door on an old job, and opening the door to a new and very different career. But it'is also about making a final decision, to take that plunge into the new career, to forgive your family, to leave an abusive spouse, to make a new life. To heal and renew. A very hard card to read in part because it deals with very hard and final decisions. And it means facing something that most Querent's don't want to face. You can't hide any longer, this card says, all the dead have risen and are out in the open. Face what you have to face, make that decision. Change.


Para aqueles que chegaram até aqui, cá fica a explicação deste post...
Todas as segundas-feiras tiro uma carta de Tarot que é a carta que eu devo trabalhar e compreender durante essa semana. É também a carta que me irá ajudar nesses dias, se eu assim deixar acontecer...este é um trabalho de equipa e não unilateral.
Esta foi a forma que adoptei para me relacionar com o Tarot e para conseguir apreender todo o seu real significado, que vai muito para além daquilo que normalmente se sabe, se diz e se pensa :) Para além de toda a parte adivinhatória sobejamente conhecida, este é um grande instrumento de meditação, de aprendizagem sobre nós mesmos e tudo o que nos rodeia, e de crescimento.
A partir de agora, partilharei aqui as cartas que me forem saindo...afinal este é também o meu diário e as descobertas que tenho feito a par com as "coincidências" que eu não acredito existirem levam-me a desenhar um sorriso enquanto escrevo estas linhas.
Em conformidade com esta carta, o passado levantou-se e veio ter comigo uma vez mais...a melhor imagem é mesmo um esqueleto irritante que volta não volta resolve levantar-se da sepultura e vir na minha direcção materializando-se nas situações mais estranhas e súbitas, numa tentativa certeira de me irritar (oiça-se o ruído de ossos a batarem uns nos outros clac clac clac ou coisa assim).
Isso acontece porque esta última parte do passado foi de facto sepultada muito á pressa, sem serviço funebre, sem velório e sem luto. E pelos vistos não gostou. Foi uma correria louca em todos os sentidos, mas se assim não tivesse sido, eu não estaria aqui a debitar baboseiras...o que não vale gostar de exercício fisico, olhem que foi mesmo por um triz :) Concluindo, tenho mesmo que pegar na pá e atacar o monte de terra que ficou por atirar na dita sepultura, pois enquanto não o fizer o gajo não descansa e vai continuar a azucrinar-me a vida, como se eu não tivesse já pouco com que me ocupar.
E sabem uma coisa? Depois da irritação inicial (muito passageira), e da tentação de ignorar por completo a situação em si (tipo, que se dane!), optei pela aceitação do facto de ainda ter algumas acções pendentes a desempenhar para que possa finalmente dizer-lhe..."descansa em paz". E sinto-me muito tranquila em relação a isso.

Não tenho escrito. As palavras fogem-me. O tempo é escasso. E depois quando escrevo, sai disto. Realmente quem chegou até aqui já tem um lugarzinho reservado lá em cima LOL vão é ter que meter uma cunhazinha para ficarem longe de mim senão lá voltam vocês a levar comigo. Há fases assim.

30 de abril de 2008

BELTANE - O Casamento Sagrado



Beltane, ocorre no pico da Primavera. Marca o momento em que a Terra se aquece pelo calor do Sol e o Inverno é oficialmente deixado para trás. É celebrado no hemisfério norte por volta de 1 de maio, e no hemisfério sul por volta de 31 de outubro. Na véspera de Beltane, as energias sexuais naturais atingem seu ponto mais alto. Marca a parte brilhante do ano e um tempo de equilíbrio natural. Na roda do ano fica do lado oposto de Samhain. É um festival de luz que simboliza a união entre as energias masculinas (o Senhor das Florestas) e femininas da terra (a Rainha da Primavera). Como Samhain representa o anoitecer do ano, Beltane representa o amanhecer. O Sol está se aproximando do seu auge que ocorrerá em Litha, e o calor ajuda a fertilizar as plantas e sementes, e os animais brincam e se acasalam. A Deusa e o Deus estão agora em plena vitalidade e amam-se com toda a intensidade. Eles irão consumar seu amor, sua paixão é evidente em toda a vida presente na Terra. Esse Sabá marca a união da Deusa e do Deus representando a fertilidade dos animais e as colheitas do próximo ano, é a união de todos os poderes que trazem vida a todas as coisas. Comemoramos a fertilidade, o amor que dá forças à tudo e o retorno do Sol em toda a sua intensidade. A palavra Beltane vem do nome céltico do Deus “Bel” que é o Senhor da vida, da morte e do mundo dos espíritos. “Tinne” significa fogo. Assim Beltane quer dizer “Fogo de Bel”. Portanto, também podemos dizer que, nessa visão Beltane é derivado do antigo Festival Druida do Fogo. No dia de Beltane o Sol está astrologicamente no signo de Tauros, o Touro, que marca a "morte" do Inverno, o "nascimento" da Primavera e o começo da estação do plantio. Beltane é o momento de celebrar a vida em todas as formas, de dar boas vindas ao Verão, é o momento de equilíbrio, nos despedimos das chuvas para receber o calor do Sol. Algumas práticas de Beltane Na Bretanha, a união do masculino com o feminino ainda é reconhecida nas comemorações tradicionais de Primeiro de Maio (ou festa da Primavera), com a coroação da rainha da Primavera e as danças ao redor do mastro. Beltane é particularmente notado como a época de ver e comunicar-se com o mundo encantado de fadas e duendes. É comum aventurar-se por um antigo bosque, floresta, campo nessa época do ano, e provavelmente serão encontrados círculos de cogumelos crescendo embaixo de copas de árvores (conhecidos como “anéis das fadas”) que dizem marcar o lugar onde as fadas dançam em suas comemorações noturnas. Os celtas acreditavam que a terra das fadas e a terra dos sonhos eram a mesma coisa e que esse era um outro reino que existia no mesmo espaço físico que nós, só que com uma vibração mais elevada. Pode melhor ser percebido quando a mente está em estado de sonho, semelhante àquele em que estamos quando prestes a adormecer. A luz das fogueiras de Beltane no topo dos montes e em lugares sagrados era um ritual importante em todas as terras célticas. Essas fogueiras eram chamadas de “fogueiras da necessidade”, eram construídas de uma forma sagrada e davam-lhe oferendas como, por exemplo, ervas, artefatos animais ou totens para imbuir o fogo de poderes que seriam então passados para o gado. Era tradição as pessoas pularem as fogueiras para encher-se das energias poderosas, curar doenças, assegurar bons partos e pedir bênçãos dos Deuses da Fecundidade. Na Bretanha, nove homens levam nove tipos diferentes de madeira para acender a fogueira de Beltane. Nove é um número de grande potência para os celtas e é mencionado com freqüência na mitologia céltica. Originalmente as fogueiras eram acesas ao redor de uma única árvore sagrada ou mastro decorado com vegetação e flores para representar a união das energias do Senhor das Florestas e da Rainha da Primavera. Esse foi o precursor do Mastro de Maio. No final da festa cada família levava brasas desse fogo para sua casa, simbolizando a renovação da vida e reacendiam o fogo doméstico para compartilhar o divino e receber a benção de esperança para um Verão próspero e fértil, com uma colheita abundante. Era costume colher orvalho na manhã de Primeiro de Maio, e cantar uma estrofe inglesa que diz: “A donzela que em Primeiro de Maio For para os campos ao amanhecer E banhar-se no orvalho de um pilriteiro Beleza eterna era ter”. Fazer uma coroa de maio com pilriteiro para a Rainha da Primavera e dar como oferenda para as fogueiras de Beltane, ou usá-las como decoração nas mesas das casas durante o banquete colocando pensamentos positivos era uma prática celta. Um dos símbolos mais conhecidos é o Mastro de Beltane (Maypole, Mastro de Maio) feito de tronco de uma árvore forte e alta, normalmente o vidoeiro ou freixo e enfeitado com flores e tiras de fitas. Uma vez decorado, antigamente era elevado em uma praça da aldeia (um ponto focal das atividades da comunidade) para que todos dançassem em volta entrelaçando as fitas no mastro. Essa prática é mais do que uma simples dança de festa, o mastro simboliza o falo do Deus e ele sempre é ornado com uma coroa de flores simbolizando a vulva da Deusa. Ao entrelaçarem as fitas os participantes representam a união sexual do divino, a união da Deusa e do Deus. Na Europa Antiga, as pessoas celebravam Beltane unindo-se sexualmente em meio os bosques, e todas as crianças concebidas dessas uniões eram consideradas “bem aventuradas” e filhos da Deusa e do Deus. Essas uniões em meio às arvores era um ato de Magia simpática, de forma que se acreditava na união com os reinos animal, vegetal e humano. Entre os povos da Europa, o gado, que tinha ficado preso durante todo o Inverno, era solto nos pastos em Beltane, a festa que confirmava a promessa da Primavera e o aumento da luz do Sol. Os antigos Druidas faziam bolos redondos (Bolos de Beltane), que durante a celebração eram divididos em partes iguais e consumidos durante o sabá. Nas Terras altas da Escócia, os bolos de Beltane são usados para adivinhação, sendo atirados pedaços nas fogueiras como oferenda aos espíritos e deidades protetoras.
Atividades comuns em Beltane:
· Pular fogueira (ou caldeirão);
· Guardar cinzas da fogueira para utilizar em encantamentos de fertilidade, para abençoar objetos e pessoas;
· Fazer Mastro de Beltane;
· Dançar em volta do Mastro de Beltane;
· Colher ervas da estação;
· Fazer um piquenique em família;
· Lavar a face no orvalho da manhã de Beltane (isso traz beleza para quem o faz);
· Fazer máscaras com folhas para representar o Green Man;
· Colocar uma tira de tecido em uma árvore fazendo um pedido as Fadas;
· Fazer uma oferenda ao povo das Fadas;
· Faze um pacote de Beltane;
· Confeccionar guirlandas com flores multicoloridas para as mulheres e folhas verdes para os homens;
· Fazer oferendas ao espírito da Primavera;
· Fazer bolos redondos de aveia e cevada (Bolos de Beltane)
. Correspondências Cores: verde
Nomes: Beltane, Cetsamhain, Rudemas, Dia da Cruz, Walpurgisnacht, Véspera de Maio, Giamonios Deuses: Deuses da Florestas, fertilidade, sexualidade. A Deusa no aspecto Fertilizadora, O Deus como Fecundador.
Ervas: cardo-santo, curry, narciso, coriandro, sangue-de-dragão, samambaia, urtiga, sementes de linho, espinheiro, manjerona, páprica, rabanete, cogumelo, amêndoa, rosas, folhas de sabugueiro, baunilha, ylang ylang.
Incensos: olíbano, lilás e rosa. Pedras: malaquita, quartzo rosa, esmeralda, berilo, turmalina, quartzo verde, amazonita, aventurina.
Comidas e bebidas sagradas: leite, bolos de cereais, saladas, tortas, bolos de frutas, frutas, cerejas, morangos, ponche de vinhos rosado e tinto e sucos.

Fontes: Explorando o Druidismo Celta – Sirona Knight Grimoire: Ayesha Grimoire: IDC Guia essencial da bruxa solitária – Scott Cunningham Italian Witchcraft – Raven Grimassi Rituais Celtas – Andy Bagggot Textos de Jan Duarte Wicca – A Feitiçaria Moderna – Gerina Dunwich Wicca – A Religião da Deusa – Claudiney Prieto
Texto adaptado

29 de abril de 2008

QUASE

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.

É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.

Sobra cobardia e falta coragem até para ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.


Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que a fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance.

Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo)


Recebi hoje esta mensagem no meu email. Foi enviada por uma pessoa que eu ainda não conheço mas que sei que me lê (Namaste!) e chegou-me através do meu Maninho. Não pude deixar de sorrir pois tinha sonhado que estava a falar com o querido Amaral (que eu também não conheço pessoalmente)e embora não me recorde das palavras trocadas ficou a sensação.
Não é facil manter-mo-nos á superficie quando a vida mais parece um mar em remoinho que nos puxa para o fundo. E é um pouco assim que me tenho sentido. Tenho recusado a dor - do cansaço, da revolta, de não ter a minha fada comigo, de não conseguir dar mais de mim, de sentir que não estou a corresponder e que há sempre tanto para fazer e eu não consigo fazer tudo - e assim tenho evitado a alegria - de estar viva, de ter forças para lutar, de ver a beleza que me rodeia, de me aperceber do quanto realizei em tão pouco tempo, de me maravilhar com a presença das pessoas que amo e dos seres que me acompanham, de ser Amor.
Tenho vivido no QUASE.
Aplicando todas as minhas energias para não perder o equilibrio precário entre ondas e mais ondas.
Leveza.
A leveza é a única forma de ultrapassar estes remoinhos da vida. A maioria dos afogamentos acontece porque a pessoa aplica a sua energia lutando contra o inevitável - a força do Mar é maior que a nossa - em vez de a poupar de forma a conceder a si mesma o tempo necessário para aproveitar a altura em que a força do Mar esmorece, e fazendo corpo leve, conseguir flutuar até á saída...e então voltar a respirar.
"Escuta o teu coração. Tudo o resto é auto-critica. Respeita as tuas limitações e saúda-te todos os dias, porque tu és indispensável á vida. O teu drama existencial é quereres conciliar aquilo que tu sentes que és com aquilo que tu pensas que tens de ser."

E eu sei que falhei.


PS:Muda de ideias quantas vezes quiseres. Lembra-te, contudo, que cada mudança de ideias vem acompanhada por uma mudança de direcção do Universo inteiro. Quando "constróis uma ideia" sobre qualquer coisa, pões o Universo em movimento. Há forças para além da tua capacidade de compreensão - muito mais complexas e subtis do que possas imaginar - que estão envolvidas num processo cuja dinâmica intricada estás apenas a começar a perceber. Essas forças e esse processo fazem todos parte da extraordinária teia de energias interactivas que abrangem a totalidade da existência a que chamas a própria vida. São, na sua essência, DEUS.

22 de abril de 2008

4 de abril de 2008

SHIVA

Ao ler este texto tive que sorrir. Na altura de escolher o nome para a minha cadela, há 5 anos atrás, vi o significado resumido e gostei...e passados todos estes anos deparo-me com este texto, muito mais abrangente. E tudo faz sentido.

Bom fim-de-semana!



Há muitíssimo tempo, havia três grandes deuses, filhos do Grande Deus Desconhecido, assim chamado porque - segundo narram os sábios - nenhum homem podia Dele se aproximar, a menos que tivesse o coração puro e limpo e merecesse, por suas virtudes, a graça de Sua visão.

Estas três divindades eram, como seu próprio Pai, imaculadas. Brahma, o primogênito, teve por tarefa a criação de todo o universo; o segundo, Vishnu, dedicou-se á conservação e cuidado da obra de seu irmão; enquanto que o mais difícil de todos os trabalhos, coube a Shiva.

- Eu modelo os mundos disse Brahma - para que todas as almas manifestadas tenham a oportunidade de cumprir seu ciclo e retornar à Consciência de nosso Pai Celeste. E por esta razão que crio estrelas e gotas de orvalho, e algum dia, todos seremos novamente UNO. Tempo e Espaço poderão então descansar, pois ninguém necessitará deles.

- Eu cuido da tua obra - falou Vishnu -, e velarei por ela dia após dia, minuto após minuto, para que se mantenha tal qual tu a criaste. Não terei sossego enquanto existir uma só criatura que deva transitar pela "casa das formas" em busca da essência de nosso Divino Pai.

- E tu Shiva? - interrogaram ao terceiro.

- Meu papel é muito difícil, queridos irmãos. Os homens que me contemplam, mas que permanecem aferrados á matéria, verão em mim seu destruidor, porque certamente serei eu quem levará suas almas de regresso ao reino de nosso Senhor. Os sábios, em troca, amar-me-ão buscando-me; e eu, prazeiroso, procurá-los-ei para orientá-los no caminho de retorno àquele mundo do qual jamais voltarão; mundo esse que só podem habitar os homens que alcançaram o supremo estado de perfeição espiritual.

- Sim - disse Vishnu - teu trabalho é árduo, e poucos poderão entendê-lo. Deverás ensinar aos homens que todo este universo criado por Brahma, e custodiado por mim, é pálido reflexo do outro, o real, que mora no coração de nosso Pai. Deverás fazer com que entendam que, ficar apegado a estas formas plasmadas por nós, é pueril. O sábio vê o intimo das coisas, e se une á Essência Suprema da qual tudo isto provém.

Assim foi sempre, e o é ainda agora. Enquanto Brahma cria o cosmos, Vishnu o protege, e Shiva ensina ao coração de todas as coisas, o meio pelo qual atingir a divina meta. Shiva, deus da Misericórdia e do Amor, com infinita ternura, alerta os homens para não se extraviarem na busca daquela Essência Suprema.

- Se souberdes abandonar todos os bens terrenos - diz a seus discípulos -, podereis achar o caminho da Imortalidade, nunca antes. Deveis matar todo apego físico e mental às coisas transitórias, a fim de que vos ilumine a glória dos bens eternos.

E como bom mestre de almas, ele próprio pratica uma austeridade tão rígida, que se tornou conhecido como o maior dos ascetas religiosos. Nada possui na casa-criação de seu irmão Brahma; nela, nada lhe pertence, a não ser as almas que ele, ansiosamente, busca elevar para uni-las a seu Divino Pai. Ainda que príncipe, veste uma humilde túnica de anacoreta, anda descalço, não participa de festa alguma neste mundo, e tudo quanto faz é concentrar sua mente e seu coração naquela amadissima Essência. Na mais alta montanha da índia, lá nos Himalaias, costuma-se vê-lo junto aos monges penitentes que vivem nas neves orando ao Deus Supremo. Eles também adoram Shiva, que reconhecem como seu mestre; e dizem que ele mora no monte Kailasa, perto do lago Mansarovara. Nesse louvado cume onde só chega o vento gelado, ele fica submerso em profunda meditação, tentando colocar toda sua vontade e seu amor na tarefa de despertar almas.

O Kailasa é um monte estranho: quando Shiva está meditando, afirmam que o próprio céu estremece de regozijo, agita-se a neve de suas encostas e as altas montanhas inclinam-se reverentes para, ansiosamente perguntar-lhe:

- Ó misericordioso Shiva! Quando estaremos libertas de nossos corpos de matéria, a fim de nos unirmos outra vez Àquele, nosso Senhor?

Os sábios contam que numa ocasião, quando Shiva estava absorto em profundas meditações, pareceu-lhe por um instante que todos haviam abandonado suas formas materiais; não existiam já nem pássaros, nem estrelas, nem homens, pois tinham-se convertido nesse Grande Desconhecido. Ao ver a criação reintegrada a seu primeiro lar, sentiu-se tão feliz que, no meio do vazio infinito, começou a dançar. Essa maravilhosa dança de Shiva é evocada ainda hoje, em toda a Índia; assim, uma vez por ano os monges a representam, querendo significar com isto que chegará o dia em que o universo inteiro tornar-se-á uma Única Realidade.

Shiva nada pede a seus devotos; uma vareta de incenso, uma flor ou uma simples oração é suficiente para louvá-lo. Todavia, para ele também são louvores as lágrimas de todos os que sofrem as misérias da vida terrestre.

Existe uma árvore que particularmente aprecia, e sob sua generosa sombra costuma abstrair-se em longas meditações. Na Índia chamam-na bael, e os devotos do Misericordioso depositam aos pés de suas estátuas, flores, folhas e pequenas lascas dessa madeira.

Diz a tradição que um dia, quando Shiva orava ao Deus Supremo, foi atacado por uma quadrilha de ladrões que, o desconhecendo e acreditando que fosse um rei, não por suas roupas, mas por seu porte, golpearam-no com bastões de bael para roubar-lhe o dinheiro que, imaginavam, possuía. Shiva não interpretou este ato como uma agressão; ao contrário, pensou que se tratava de devotos que lhe ofertavam pedaços daquela madeira, de um modo muito particular; entretanto, o único que pareciam conhecer. Nem por um instante cogitou em castigá-los, e sim agradeceu-lhes a dádiva de seu amado lenho. Os ladrões fugiram espavoridos, pois não compreendiam como alguém podia sorrir e agradecer cada golpe que recebia.

Numa outra oportunidade, descendo de seu monte Kailasa, pôs-se a contemplar todas as criaturas. Assim, viu nas selvas dos Himalaias um poderoso leão, respeitado por sua ferocidade e admirado por seu porte, que perambulava pelos intrincados caminhos; observou o tigre, as gazelas, o cordeiro, os pássaros, descobrindo com profunda alegria os cuidados e esmeros que havia tido seu irmão Brahma quando lhes deu suas formas adequadas. Por uma ou outra razão, todos eles eram queridos, procurados e elogiados. Mas, ai! quanto sofreu ao ver as serpentes, fugindo sempre das águias, dos homens de todo mundo!

- Ó Senhor da Piedade! - queixou-se tristemente Takshaka, o rei das serpentes. - Ninguém nos quer; absolutamente ninguém! Homens e animais procuram sempre nos matar! Não há em todo o reino deste mundo, criatura mais desditosa que o réptil...

E o senhor Shiva, com infinito amor, alçou várias delas e lhes disse:

- Como ninguém vos ama, dar-vos-ei meu coração e proteger-vos-ei com todo zelo. E assim o fez. Para que ninguém as atacasse, acolheu-as junto de si. Timidamente, algumas se enroscaram em seus braços, outras em seu pescoço e cabeça. Desde aqueles remotos tempos, pintores e escultores vêm fazendo quadros e estátuas do deus Shiva e suas serpentes... Muitos procuram um estranho simbolismo neste fato, cujo verdadeiro significado é o infinito amor que Shiva prodigaliza aos desamparados. Entre estes, também está o homem. O Senhor da Misericórdia, dá abrigo àqueles que o mundo rejeita, pois sabe que o Deus Desconhecido depositou sua essência em todas as criaturas, ainda que estas sejam - na aparência - decrépitas ou mentalmente aleijadas. Eis porque ele também ama os maus Logo serão perfeitos - diz suspirando. - Chegarão a descobrir-se e ser realmente o que são, isto é, filhos de nosso Pai Celeste.

Desta forma, Shiva vai de era em era, de cultura em cultura, ensinando às almas o caminho do retorno à Morada Eterna.

Obrigada Shiva, por fazeres parte da minha vida.