“Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”. O existir é um perpétuo mudar, um estar constantemente sendo e não-sendo, um devir perfeito; um constante fluir...

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20 de outubro de 2007

A entrega



A planicie de um verde ainda envolto em neblina eterea recebeu o raio de luz que a iluminou por um breve segundo, agitando-se em sintonia com essa subita vibração e regressando á sua dimensão terrena e estática no instante seguinte.
Yuven estendeu a sua mão de três dedos e tocou o ar, saboreando a sua textura espessa e pesada.
A nave aterrara em Salisbury, um dos locais antigos da Terra. Invisivel ao olhar humano, depressa atraiu a atenção dos Elfos e Fadas que guradavam os portais das pedras sagradas. Yuven ficava sempre encantado por contactar novamente com os do povo sagrado. Era imune á atracção que irradiavam naturalmente, mas não podia ficar indiferente á sua beleza e a tudo o que eles davam para salvar a mãe terra. Eram também os guardiões mais fieis aos portais, e desde sempre que colaboravam com os seres galacticos. Chegara a hora da entrega e eles sabiam-no. A rainha materializou-se á frente de Yuven, cumprimentando-o com o seu olhar negro onde brilhavam as duas estrelas mais belas e radiantes que existiam na Criação. Já se conheciam há muito e o respeito que nutriam um pelo outro tornara-se uma forte amizade com o passar dos séculos e as muitas trocas efectuadas.
De tempos a tempos, nasciam fadas e elfos. Poucos, muito poucos, talvez 10 de cada num século...se tanto...poucos sobreviviam aos primeiros momentos de vida, arrasados pela negatividade que sagrava na atmosfera. A maioria desses seres eram entregues a Yuven para os levar onde o Conselho assim desejasse, normalmente para viverem algumas vidas de crescimento e expansão, para aprenderem tudo o que lhes permitiria mais tarde desenvolverem as missões de trabalhadores e guerreiros da Luz.
A recolha era sempre dificil...pois era um momento de alegria mas também de tristeza para o Povo antigo, que se via privado das suas crianças tão raras, tão esperadas e tão amadas. Não era este o caso. A rainha iluminou toda a nave com o seu sorriso e a sua voz cristalina como a mais pura água soou na mente de Yuven em suaves notas musicais de uma harmonia enfeitiçante.
" Meu caro Yuven, deveria dizer meu Senhor? Que alegria ter-vos aqui neste momento tão auspicioso...dizei-me...trouxestes os meus filhos?"
Yuven sorriu também, emitindo uma calorosa vibração de ternura pura e afastou-se para que a Rainha pudesse ver os casulos que emanavam pequenos raios de luz branca e azul.
"ahhhhhhhh...Yuven Yuven...pressinto que reservaram algo muito especial e dificil aos meus filhos...será mesmo assim? É esse o preço a pagar por serem efectivamente nascidos das noites claras que partilhei com Yarandar, Senhor dos elfos? Nunca pensei ser capaz de conceber tais espiritos e contudo, sempre o soube."
"Será aquilo que terá de ser minha Rainha, ou poderei dizer cara Lywaren? sabeis bem que deste á Luz a mais esplenderosa manhã e a mais quente noite de Verão que alguma vez poderiam ser concebidas, vós olhasteis as águas do poço sem fim e eu vi o que vistes reflectido nas suas águas nubladas"
Ao ouvir o seu nome pronunciado por Yuven, Lywaren soltou uma melodiosa gargalhada e rodopiou num breve paço de magia.
" Meu amigo, como poderia eu mentir-vos? Sabeis bem que vi. Que assim seja então. E já agora, que belo desenho nos trouxeste...vai ser divertido observar a reacção dos humanos quando acordarem e virem o seu campo tão embelezado" O som de pequenos sinos bailou pela nave levando-a a um pequeno momento de ritmo quente.
As gargalhadas dos dois produziram uma vibração entrelaçada de tons estrelares sem igual. A nave de Yuven, embora invisivel, deixava sempre uma marca nos campos onde aterrava. É um fenómeno natural. As paredes internas das células das plantas ficam muito mais esticadas, distorcidas e espaçadas entre si, ao serem expostas á radiação galactica, dilatando as suas pequenas aberturas para a passagem dos íons e eletrólitos. Este fenómeno tão simples era usado pela nave viva para uma das suas brincadeiras favoritas...desenhar mensagens que só poucos entendiam.
"sim, desta vez a nossa companheira esmerou-se...uma borboleta...é o presente que deixa aos nossos pequenos seres que irão encarnar dentro de...3 e 5 anos terrestres."
Yuven e Lywaren já se encontravam no interior do circulo sagrado do Portal de Stonehenge, trasportando-se pelo ar em pequenas particulas que se voltaram a unificar para os materializar. Nos braços, Yuven carinhosamente carregava o espirito de Eridanis e de Siurd, que agora vibravam mais uma vez em sintonia com uma das essências que os criara. Do cimo da colina, a figura alta e esguia de Yarandar reflectiu-se através das finas cortinas de nevoeiro enchendo toda a planicie com a sua radiação elfica... Os seus cabelos prateados presos numa trança enlaçada com hera verde contrastavam com a sua tez de um azul pálido, e com o azul magnético dos seus olhos profundos. Trocou um breve olhar com a Rainha, cujos cabelos negros raiados de azul se agitaram em saudação e no instante seguinte materializou-se ao seu lado.
Yuven maravilhou-se com a ainda chama carmin que os envolvia sempre que se aproximavam. Era palpavel a ligação entre a Rainha das fadas e o senhor dos Effos...e Yuven deu por si a pensar que era uma chama da mesma tonalidade que vibrava sempre que Eridanis e Siurd se aproximavam um do outro. E era assim que tinha de ser. Perfeito. Via agora como o Concelho tinha sido sábio na sua decisão de enviar Siurd com Eridanis. Se o tivessem informado dos detalhes ele teria recusado por não querer emiscuir-se na decisão tomada pela sua amante de sempre. Eram assim aqueles dois seres, mas Eridanis tinha-se voluntariado sem ter concluido a sua formação - impulsiva como sempre - e sem o amor de Siurd acabaria por secumbir ás energias poderosas que a animavam...Siurd era o único capaz de transmutar Eridanis para a doçura e paz necessárias ao Trabalho. E assim o tinham enganado, pois ele não era para vir, mas tudo acontece por uma razão. Tudo se encaixa.
" Entregai-mos Yuven. Ficarão abrigados de todos os perigos no local secreto entre os Mundos. Aí serão embuidos das energias magnéticas da Mãe que se fundirão nas suas essências com a sua origem também estrelar do Pai. Deixai-os regressar ao berço, para que nunca se esqueçam da antiga sabedoria, para que possam ouvir as árvores e falar com os nossos irmãos animais, para que se relembrem da chama das matérias primas, para que aprendam os caminhos que os trarão sempre que necessitarem, aos campos de poder ancestrais."
Yuven entregou os dois seres radiantes nos braços de Yarandar, cuja pele assumiu o tom fulgurante do azul electrico ao receber novamente os seus filhos...um cristal do mais puro transparente brotou dos olhos de Lywaren, rolando-lhe pelas faces e afundando-se na terra grata pela oferta.
"Obrigada Yuven pelo cuidado que lhes dedicaste, volta a nós quando assim for o tempo." Yuven ficou ainda por mais um segundo a vê-los afastarem-se, absorvendo a vibração emanada e lançando um último toque mental a Eridanis e Siurd... e então desintegrou-se, partindo com a sua tripulação para casa.

"Já tivemos esta conversa, noutro lugar, disseste-me tudo isso... mas não me lembro onde..."

30 de setembro de 2007

Prelúdio

A encosta árida e escarpada aproximava-se a uma velocidade vertiginosa, na qual as cores se mesclavam com o negro do espaço, mais parecendo ser sugadas para aquele infinito em que a nave ainda se encontrava.Yuven sabia que o que via não era o que estava a acontecer ainda. Esta era a sua 30a viagem ao Planeta Azul, mas ainda se maravilhava com o trabalho da Mãe tal como ficava sempre abismado com os planos inergalacticos que aqui o traziam.Os seus companheiros de jornada controlavam toda a organica da nave, que era também um ser vivo como eles. Libertavam assim o seu comandante para preparar telepaticamente a aterragem, e todos os passos que dariam naquele berlinde suspenso na escuridão infinita de luz.Yuven tinha sempre todo o cuidado para que a sua passagem na Terra passasse despercebida aos mortais. Eles ainda não estavam preparados para ver mais além da sua dimensão, e o simples encontro fortuito podereia revelar-se catastrofico...Contava com a ajuda de alguns desses seres, com os quais comunicava amiúde, sem nunca revelar a sua verdadeira imagem, inconcebivel aos olhos humanos...esses eram seres Humanos em plena ascenção. Desenvolviam um trabalho crucial ao trabalharem com a luz, acordando outros como eles para a verdade.Haaa estes humanos, que seres fabulosos eles eram sem o saberem. Se imaginassem como o seu acordar fora importante para a alteração das directizes ha muito decididas em conselho interestrelar. Contra tudo o que então se adivinhava, eles estavam a conseguir elevar a luz da Terra, permitindo assim que os portais interdimensionais se abrissem e os veus entre os universos paralelos se desvanecessem. Mas ainda havia muito a fazer.
Vários eram os trabalhadores e guerreiros da Luz que ali caminhavam os trilhos sagrados. Yuven já não se encontrava na fronteira da Terra. Olhava agora para os dois seres que iria depositar naquele planeta...profundamente adormecidos, a transmutação já havia começado. Estavam a materializar-se da pura energia para abrigarem em si a carne, ossos, pele, terminais nervosos, que constituiam o corpo humano. Como todos os seres que se haviam voluntariado para ajudar os humanos a elevarem o planeta, as suas consciencias tinham sido temporariamente bloqueadas para que não se lembrassem de quem eram realmente, isso seria um trabalho que teriam de ser capazes de desenvolver desde o seu nascimento em corpo humano. Yuven tentava sempre acompanhar todos aqueles seres no seu desenvolvimento. Visitava-os de tempos a tempos, sondando a vastidão do universo em busca das suas vibrações cosmicas. Alguns perdiam-se pois não eram capazes de recordar, outros regressavam prematuramente desistindo da missão a que se haviam proposto.
Havia aqueles que se recordavem facilmente e desde muito cedo que desenvolviam o seu trabalho...mas outros que só após muitos choques acabavam então por conseguir ver para além da limitação do espaço e tempo terreno.
Os pequenos seres de luz agitaram-se nos seus casulos, como que pressentindo a energia erradiada da mente de Yuven. Sorriu. Um guerreiro e um construtor. Dois visionários. Dois seres da mesma origem, que há muito caminhavam juntos. Conheciam aquele planeta como conheciam a sua casa.
Voluntariosa, Eridanis era pura energia em bruto. Emoção. Uma guerreira que nunca se havia negado a nada. Ele, Siurd, era um construtor especializado, não havia materia que ele não trabalhasse com a mesma facilidade de quem solta uma vibração.
Vinham juntos sem o saberem. Eridanis tinha mais uma vez sentido o apelo da Terra que tão bem conhecia, e quando o Conselho deliberou que se tinham esgotado as possibilidades de ascenção daquele sector do Pai, fora das primeiras a avançar penhorando a sua essência para regressar ao planeta que amava. Foram muitos os que o fizeram. Siurd desmaterializara-se dela instantaneamente. Conhecia a sua força e assentira a mais uma vez deixá-la partir para uma existência que era sempre acompanhada de dor. Estaria á sua espera como sempre, e como sempre acompanharia a sua jornada sem intreferir. Mas desta vez...por alguma razão, ele fora também chamado, sem no entanto saber que o planeta no qual iria trabalhar era o mesmo para onde Eridanis viajaria.
O Plano era ambicioso. Milhares de seres participavam nele, sem nunca conseguirem vislumbrar mais que meros esgares, e contudo entregavam-se e construiam as redes energeticas que purificavam todo o Universo.
O momento aproximava-se. Yuven sondou o tempo humano e localizou a dimensão do ano terreno de 1970. Estes seres ainda teriam que esperar as condições óptimas para nascerem...entre 3 a 5 anos. Nasceriam sem serem esperados, caminhariam separados, em locais diferentes mas suficientemente perto para que os seus trilhos se cruzassem...se o reconhecimento aconteceria ou não, já dependia das suas aprendizagens.
Yuven sorriu emitindo uma ligeira onda vibratoria. Ia gostar de acompanhar aqueles dois seres telepaticamente, e ao observar a chama central que os animava, vibrante e em mil tons de azul, soube que fosse em que situação fosse, o reconhecimento aconteceria.

"Tu não és deste planeta..."
"Tu também não."
...