“Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos”. O existir é um perpétuo mudar, um estar constantemente sendo e não-sendo, um devir perfeito; um constante fluir...

Se gosta seja amigo :) Namasté!

24 de março de 2008

Humildade

Já repararm como a palavra "Humildade" tem hoje em dia uma conotação negativa?
Ser-se humilde é quase tomado como sinónimo de ser-se um coitadinho, um pobrezito...
Não serei só eu, certamente, a encarar a Humildade como um dos grandes sentimentos que derivam directamente de um amor profundo e universal, e que anda de mãos dadas com o conhecimento, a sabedoria, o amadurecimento.
Há vários dias que esta palavra me tem assaltado em variadíssimas ocasiões...e a verdade é que tenho sido confrontada com as causas da sua falta.
Também eu já fui imune á humildade.
E também eu já a vi como algo repugnante até. Sinónimo de fraqueza. Na altura dizerem-me que eu era humilde (nunca o diriam pois eu não o era, muito pelo contrário) seria levado como ofensa grave pela rapariguinha que tentava lutar com as armas erradas lutas que não eram dela e que tentava a todo o custo provar (sabe-se lá a quem...a ela mesma?) que era algo que no fundo não era.
Ás vezes sinto-me velha. Parece-me que vivi demasiado em pouco tempo, e no entanto temo que o tempo me fuja e não me deixe disfrutar da paz que encontrei ao lado de alguém que finalmente amo - depois de tantas vezes o ter dito e escrito sem saber de facto o que era amar - , e me deixe aprofundar todas as linhas de saber que entretanto descobri...tantas portas ainda por abrir, tanto para conhecer, para saborear, para aprender.
E como se pode aprender sem humildade? Humildade para reconhecer o que se sabe e tudo aquilo que não se sabe. A humildade é o equilibrio da ambição, que mora em todos nós humanos. A Humildade é uma das portas do conhecimento...
Se eu ambiciono o Saber, tenho que ter a humildade de reconhecer que não sei tudo, e que provavelmente nunca o saberei...que há pessoas que sabem mais que eu, e com elas aprender...e partilhar aquilo que sei sem egoismos nem falsas ambições de ser a única a sabê-lo.
Recordo-me de pensar que sabia tudo sobre algo, de ser dona da verdade, e hoje sei o quanto perdi pois poderia ter ido muito mais além...se tivesse sido humilde teria aprendido muito mais sobre esse tal assunto, teria chegado ao cerne da questão muito mais cedo, poupando tempo e forças para aplicar noutras buscas de outros conhecimentos...
Hoje numa mera conversa de corredor descobri que em poucos minutos aprendi mais sobre a vivência actual da espiritualidade cristã católica, do que no resto da minha vida toda...porque me disponibilizei a ouvir, porque fui humilde e porque coloquei á parte as velhas questões que me atormentam há seculos. E porque a verdade é que, embora a Igreja seja uma instituição que pouco me diz de positivo, Jesus Cristo, S. Francisco de Assis, e alguns mais são para mim Mestres que me ajudam no meu caminho espiritual e humano.
Quem me conhece (e provavelmente quem me lê) já notou que eu não sigo uma linha espiritual rigida, a minha espiritualidade, tal como este Blog e tal como a minha vida, são frutos de uma mescla de sentires, de caminhos, de portas e janelas que exploro com a avidez de uma criança curiosa...
Mas a exploração mais gratificante tem sido a da viagem ao meu Eu interior, ao confronto com aquilo que eu sou, ao mergulho no mais profundo dos meus sentires...e tal como terminou a conversa desta manhã, no corredor, com uma colega de há 10 anos e com a qual nunca tinha trocado mais que uma mão mal cheia de palavras; há que ter humildade para reconhecer que pouco ou nada sabemos sobre nós mesmos para que nasça a ambição de realizarmos a viagem das nossas vidas, e mergulharmos sem medos dentro de nós mesmos...aquele Eu de quem fugimos tantas vezes, é a particula "divina" que arde em nós e que nos faz sermos efectivamente Seres de Luz...mas atenção, para que a Luz não falhe há que pagar a conta, e neste caso, há que alimentar essa luz com o saber que só se atinge com humildade, para que ela cresça e nunca se apague...pois a busca do saber é também ela uma busca incessante.

Obrigada MST por me teres mostrado a fealdade da falta de humildade, e obrigada Conceição, pela hora e meia de partilha de saber e de energia positiva.

O Equilibrio dos Desiquilibrados


Este texto foi escrito por um amigo meu...obrigada Paulo!!
Numa altura em que a crise económica e social atravessa todo o nosso planeta é com tristeza e espanto que a maior de todas as crises, a crise de valores, se apodera de Portugal e dos Portugueses (só de alguns felizmente). Quando somos diariamente bombardeados com noticias de assaltos, de assassinatos a sangue frio, do desemprego que cresce em catadupa, dos alunos que são violentos para com os professores, dos professores que serão avaliados pelos pais desses mesmos alunos, os nossos governantes decidem, e muito bem, tomar medidas. O meu espanto surge quando me apercebo que as medidas visam o combate à violência, mas dos cães ditos de “ataque”.
Será que me equivoquei ou os problemas gravíssimos que assolam a nossa sociedade têm as suas raízes nos seres humanos e não nos animais? Qual é a culpabilidade dos rottweillers e dos pitt-bulls, para não falar em outros, em toda a situação de insegurança em que vivemos diariamente? Não serão os animais vítimas da brutalidade, insanidade e irracionalidade do ser humano?
Sendo o ser humano o único dos animais dotado de razão como poder ser tão cobarde ao ponto de perseguir aqueles de quem não sabe cuidar. Como poderemos nos culpar os animais de falta de sociabilidade se somos nos quem nos fechamos nos nossos caixotes que chamamos de apartamentos e oferecemos aos nossos filhos os tamagochis como se eles fossem animais de estimação. Que sociedade é a nossa que educa as nossas crianças tendo por base uma receita na qual os principais ingredientes são a individualização, a competitividade e o sucesso a qualquer custo. Cada vez mais o meio ambiente é o betão e os animais com os quais contactam estão à distância de um “clik” do comando da televisão.
Quando vejo na televisão comentadores dizerem, e passo a citar “ A maioria dos donos destes cães não são pessoas equilibradas”, questiono mais uma vez o que é ser equilibrado? Será equilibrado eu praticar um “desporto” denominado de caça, no qual unicamente por lazer eu me acho no direito de mater uns quantos coelhos, patos ou javalis? Será equilibrado eu pagar uma avultada quantia de dinheiro para assistir a um, deprimente, espectáculo no qual vários indivíduos sentados em cima de cavalos passam mais de uma hora a “espetar” ferros num touro até este ficar quase inconsciente como consequência da perda de sangue? Será equilibrado aquele que permite que um touro seja morto no meio de uma multidão, onde entre outros estão também muitas crianças? Será equilibrado eu permitir que centenas de cães morram todos os anos nas mãos de donos que os mantêm presos a uma corrente e que pura e simplesmente os deixam ao abandono sem comer ou beber? Onde está o equilíbrio de uma sociedade que fecha constantemente os olhos às atrocidades cometidas contra os animais sem que alguém seja capaz de fazer algo? Será equilibrado eu deixar impunes aqueles que por regozijo próprio de divertem assistindo à luta de dois animais que foram previamente treinados para esse efeito? Que sociedade equilibrada é esta que permite que animais sejam ano após ano, abandonados e que esses mesmos abandonos não acarretem qualquer penalização para quem os pratica? A verdade nua e crua é que os animais não têm direitos e não seria necessário que os tivessem, se os homens fossem capazes de cumprir com um dos seus deveres que é o de os tratar convenientemente. Os nossos animais são “brinquedos” e como tal são descartáveis, sempre que nos apetece aproximamo-nos e usamos quando já não é do nosso agrado deitamos fora. Este desprendimento dos valores humanos é o reflexo da sociedade consumista e competitiva da qual fazemos parte.
Mas que espécie de louco desequilibrado serei eu que peço para tratarem os animais de forma correcta se nem sequer somos capazes de zelar pelos da nossa espécie? Como pode esta sociedade cuidar dos seus animais se deixa que os nossos idosos apodreçam em lares de 3ª idade onde não nos incomodam nem embaraçam? Que espécie de utopia é esta de cuidar dos animais se quase diariamente me deparo com noticias de recém-nascidos que são deixados em contentores do lixo e dentro da arcas congeladoras? Onde mora o equilíbrio e a justiça quando ao invés de nos preocuparmos com as crianças que diariamente são negligenciadas pelos próprios pais só centramos a nossa atenção em dois ou três arranhões que um cão infligiu a uma delas? Será psicologicamente mais penoso para uma criança, a mordida de um cão ou a ausência de convivo com os aqueles que lhe são mais próximos?
Se esta for a sociedade equilibrada que tantos vêm apregoando, então é com orgulho que me auto declaro como um verdadeiro desequilibrado de corpo e alma. Os valores dos quais sou provido não me permitem sentir equilibrado no meio da sociedade em que estou inserido.
Para terminar importa ainda referir que é com grande tristeza que vejo a possibilidade de algumas das nossas raças desaparecerem, mas ao mesmo tempo acredito ser uma bênção para esses animais, em virtude de não terem mais de conviver com a irracionalidade do ser humano.

Por Paulo Silva

“Chegará o dia em que o desenvolvimento e evolução de uma nação serão medidos pela qualidade com que tratam os seus animais”

19 de março de 2008

O poder da inércia

PS - Amanhã dia 20 de Março, no jornal da hora de jantar da TVI vai passar uma pequena peça que tem como protagonista uma Rottweiler muito especial, a minha SHIVA. Espero ter conseguido passar a mensagem não só com as palavras, mas também com as imagens...porque eu continuo a acreditar que é possível, e que falhar é não tentar.

Na primeira noite
eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim
e não dizemos nada.
Na segunda noite,
Já não se escondem;
pisam as flores,
matam o nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia
o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a lua e,
conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
Já não podemos dizer nada.

Vladimir V. Maiakovski poeta russo



First they came for the Communists,
and I didn’t speak up,
because I wasn’t a Communist.
Then they came for the Jews,
and I didn’t speak up,
because I wasn’t a Jew.
Then they came for the Catholics,
and I didn’t speak up,
because I was a Protestant.
Then they came for me,
and by that time there was no one
left to speak up for me.

by Rev. Martin Niemoller, 1945

Perdoai-lhes Pai, pois não sabem o que fazem... Jesus Cristo

E passados 2000 anos parte da Humanidade continua a não saber o que anda aqui a fazer...e adormecida só faz "merda".
E a outra metade que até sabe o que anda cá a fazer...dorme e consente, pois assim agrada a gregos e troianos e fica na Paz do Senhor...
Todos pedem ajuda a Deus/Deusa/Tudo o que existe...mas ninguém o/a ajuda, nem que seja fazendo silêncio para o/a ouvirem, quanto mais agindo.
Um dia virá o abanão final que vai acordar as duas partes da Humanidade, em choque e estarrecidas com a tomada de consciência tardia face á inevitabiludade dos actos cometidos...é a chapada que se impõe, daquelas de mão bem pesada, que deixa marcas avermelhadas do sangue e da vergonha.
E não há um dia que passe que eu não peça para que não seja tarde de mais...podem tirar-me tudo, mas nunca me tirarão a minha fé no Ser Humano Verdadeiro. Mas que isto está muito dificil, isso está!
Caminhamos alegremente para as chamadas ditaduras politicamente correctas e democraticamente consentidas...

14 de março de 2008

Sem Palavras


O Governo vai proibir a importação, criação e reprodução de cães de sete raças consideradas perigosas e de todos aqueles que resultem do cruzamento de animais destas raças ou com outras espécies. A notícia é avançada pela TSF e abranges as raças Pit bull, Rottweiler, Cão de fila brasileiro, Dogue argentino, Staffordshire terrier americano, Staffordshire bull terrier e Toza inu.
Assim que o despacho que o Ministério da Agricultura tem em preparação for publicado, o que deverá acontecer «muito brevemente», soube o PortugalDiário, os donos dos cães considerados perigosos dispõem de dois meses para procederem à esterilização dos mesmos. Caso não façam essa esterilização, os proprietários arriscam-se a pagar coimas entre os 500 e os 45 mil euros.

Os animais nascidos depois de Julho de 2008 devem também ter um microchip, uma cápsula de identificação electrónica. Se esta não for colocada, os donos podem ter de pagar uma multa entre os 50 e os 1850 euros.

De fora deste regime, soube o PortugalDiário, ficam os cães que estão inscritos no Livro de Origem Portuguesa, mas, mesmo assim, é necessária uma autorização especial para a reprodução. A utilização destes cães por parte das forças de segurança também está incluída no regime de excepção.

Esta medida surge no seguimento do que já se passa noutros países. Segundo conseguiu saber o PortugalDiário, no Reino Unido, na Noruega e no Chipre, por exemplo, estão proibidas quatro raças, na Alemanha 15 raças de cães, em França a proibição é generalizada a todos os cães perigosos, e na Holanda e Suíça apenas a raça pit bull está proibida.

O Ministério da Agricultura adiantou à TSF que já realizou todos os estudos, cabendo agora ao Ministério da Saúde garantir os atestados de capacidade física e psicológica dos proprietários, que falta regulamentar.

Em Portugal, estão registados perto de 5500 cães de raças perigosas e existem ainda cerca de mil cães referenciados como perigosos por terem atacado pessoas ou mostrado sinais de agressividade não controlada.

noticia aqui

Querem banir uma das raças mais antigas á face da Terra, que sempre colaborou com o Homem, ajudando-o no seu trabalho.
Querem atirar areia para os olhos do povinho, que ainda não entendeu que quem faz o cão é o homem que segura na outra ponta da trela.
Querem distrair o País dos temas que realmente afectam o tal povinho, como os salários miseráveis, a educação e saúde em colapso, o aumento absurdo do custo de vida, o abandono dos velhos e dos diferentes...
Tudo querem e tudo podem porque mais uma vez quem sabe o contrário, quem pode o contrário e quem devia lutar pelo direito á escolha anda a dormir.
É tão bom ser-se bonzinho, acreditar que isto é tolice e que não vai acontecer, é tão bom ficar a ver e da mesa do café criticar e barafustar...
Tenho vergonha da minha raça. Uma profunda vergonha. Não desisto dela, mas envergonho-me da mediocridade dos seres que nos governam.

7 de março de 2008

A Criança que calou o Mundo por 5 minutos

Marte em Caranguejo

(hoje acordei a pensar, tenho que ver o que se passa lá em cima em termos de transitos porque desde dia 04 que só levo tareias ... aqui está a resposta! )



Marte entra em Caranguejo a 4 de Março (original em Nova-Lis )


Marte entra em Caranguejo a 4 de Março, deixando o signo Gémeos, onde conseguiu provocar inúmeros confrontos verbais e muito bla-bla-bla. Marte simboliza a acção, coragem, luta, sexualidade, força física, energia masculina e yang, como o indivíduo age e reage perante as situações e a forma de concretizar os seus objectivos.
Marte é o regente do ano 2008, regente de Carneiro e Escorpião, é igualmente regente de vários decanatos: 1º de Carneiro, 2º de Gémeos, 3º de Leão, 1º de Escorpião, 2º de Capricórnio e 3º de Peixes.
Este planeta não quer nada com Caranguejo. Por se encontrar em “queda” neste signo. Portanto, no mínimo, estamos a falar de “muita” emoção. 0 mau humor e frustrações emocionais poderão estar na ordem do dia, levando à raiva com facilidade, podendo provocar sérias discórdias. Cuidado com as úlceras e problemas de estômago. Sensibilidade, por um lado. Força de luta, do outro.
É um trânsito muito exuberante e absurdamente aquoso. Existe uma forte energia do guerreiro com Marte, e por isso também a preocupação de não se forçar muito a si e à sua agenda, ou os ideais que tem para com os outros. As discussões podem tornar-se exacerbadas pelas questões emocionais.
O elemento água do signo cardinal Caranguejo, apaga a natural fogosidade do elemento fogo, ao qual Marte está associado, no entanto esta coloração dada ao planeta, pode ser extremamente proveitosa, pois podemos beneficiar desta energia, para percebermos a abismal diferença que existe, entre o mundo dos impulsos e desejos e o mundo dos sentimentos profundos.
Marte permanecerá em caranguejo até 10 de Maio, passando para Leão, onde se sentirá muito à vontade. Até daqui a cerca de 2 anos, quando voltará a passar por Caranguejo.

28 de fevereiro de 2008

Escuridão Mundial...pela Luz!

Era interessante divulgar.
Reencaminhem!

Escuridão mundial: No dia 29 de Fevereiro de 2008 das 19:55 às 20:00 horas
propõe-se apagar todas as luzes e se possível todos os aparelhos
eléctricos, para o nosso planeta poder "respirar".
Se a resposta for massiva, a poupança energética pode ser brutal.
Só 5 minutos, para ver o que acontece.
Sim, estaremos 5 minutos às escuras, podemos acender uma vela e simplesmente
ficar a olhar para ela, estaremos a respirar nós e o planeta.
Lembrem-se que a união faz a força e a Internet pode ter muito poder e podemos
mesmo fazer algo em grande.
Passa a notícia, se tiveres amigos a viver noutros países envia-lhes e pede-lhes
que façam a tradução e adaptem as horas.

Meus amigos, é já amanhã! Não doi, não custa dinheiro, e não paga imposto.
É Amor. É uma corrente de Amor imensa pela Nave Azul que nos acolhe e que é por nós tão mal tratada.
Vamos dar-lhe um miminho...ela precisa...
A Terra agradece!!
E os nossos filhos também :)

18 de fevereiro de 2008

A invasão de Media IV



A travessia até á margem escondida foi feita num silêncio repleto do chapinhar de cada braçada, e do assobio das aves nocturnas que agora acordavam.
Cada braçada dos corpos de Mahar e Herim lançava ondas de reflexos avermelhados nas águas do rio, nadavam numa sintonia natural, como se fossem um único corpo.
Mahar sentia-se revigorada pelo exercício. Ao atingirem a terra de erva dourada pelo Sol dos meses de Verão, Herim olhou Mahar notando que a sua face estava agora corada...do esforço?
A água escorria pelos seus corpos nus em finas gotas que se perdiam na terra que pisavam...Mahar tremia. Embora fosse ainda virgem, há muito que sangrara o seu selo. Era uma amazona. Era Sarmata, e todas as mulheres sabiam desde tenra idade que um dia sangrariam a cada 4 Luas, e que o mais certo seria um dia sangrarem o seu selo devido ao cavalgar. Viviam intimamente ligadas á Natureza e aos seus ciclos. Ao contrário dos costumes da maioria das tribos, os Sarmatas tinham orgulho nas suas mulheres e estas usufruíam dos mesmos direitos e obrigações que os homens.
Nas noites dos últimos meses observara atentamente a vida do seu acampamento...nas longas noites que passara ao relento com o seu cavalo e com os mastins com que caçava conseguia vislumbrar os movimentos sensuais recortados em sombra pelas ténues luzes dos archotes moribundos que ardiam em cada tenda familiar...quantas vezes adormecera ao som dos gemidos sussurrados e dos suspiros das mulheres e homens da sua casta?
Mas nada a preparara para aquele momento.
Herim atingiu a margem ao mesmo tempo que Mahar, maravilhado pela sua elasticidade e resistência...tão diferente das mulheres da sua tribo e da cidade onde servira o Rei. Essas era mulheres de curvas generosas e cabelos oleados em penteados complexos...de mãos suaves e braços roliços...nunca sobreviveriam na estepe. As mulheres da sua aldeia eram bonitas, mas submissas e não lhe suscitavam aquela chama...que sentia agora. Mahar devia ser ainda virgem...era tão frágil, pequena, de corpo esguio e peito pequeno mas redondo...arrepiados pela água, os mamilos despontavam pequenos e rijos, acastanhados. Herim sentiu uma pontada no seu sexo...o seu desejo era visível...tal como os seus olhos demonstravam a preocupação que sentia...
Shhh...não tenhas medo. Estou aqui porque quero...quero que sejas tu o meu primeiro homem. Eu não tenho medo...
Herim ficou estático quando Mahar se aproximou perigosamente do seu corpo em combustão e lhe passou as mãos pequenas pelo relevo dos músculos dos braços, numa carícia suave, erguendo a face para o olhar nos olhos com toda a intensidade dos seus olhos negros...
O Sol era agora uma réstia de fogo no horizonte onde uma Lua redonda se desenhava ainda timidamente.
Herim agarrou a face de Mahar com ambas as mãos...apenas conseguia ouvir o som do seu próprio coração que parecia querer sufocá-lo de tão acelerado...os lábios de Mahar entreabriram-se num sorriso de uma doçura que ele sentiu como um feitiço há muito sonhado...

Longe daquela margem, na aldeia de Herim, a festa estava já ao rubro. Em redor da gigantesca fogueira os homens bebiam e discutiam, ao som dos tambores e flautas. As mulheres distribuíam a comida e dançavam, libertando os corpos em movimentos provocantes. Noticias e aventuras de outras aldeias e povos eram contadas com arte pelos mais velhos. Era a festa do auge do Verão. O Sol morria anunciando uma noite que seria lembrada e aqueceria o longo e frio Inverno da pequena aldeia. Os pais de Mahar saiam agora da cabana do chefe da aldeia, a sua missão estava quase concluída a mensagem estava entregue...o resto caberia a Mahar e Herim, caso aceitasse. A ausência dos dois jovens, embora notada, não fora comentada para além de sorrisos trocados em piscadelas de olhos...ninguém notara também o aproximar silencioso dos guerreiros Alanos que seguiam há vários dias em pequenos grupos a pé, a coberto do manto escuro das noites, pela extensão da estepe que separava a aldeia do seu acampamento escondido a Leste.
As ordens haviam sido claras. Deveriam primeiro neutralizar os mastins que acompanhavam os Sarmatas para que nenhum sinal fosse dado. Tinham um pó especial para a água dos cavalos, que os adormeceria...eram demasiado valiosos e os Alanos bom uso lhes dariam. E no auge da festa, a musica seria a das laminas afiadas e a do sangue derramado. Extermínio total.

"Porque é que tem que ser tudo sempre tão dificil?..."

8 de fevereiro de 2008

O medo da morte



Falar da Morte é para muitos algo soturno...mórbido.
Pergunto-me como será que essas pessoas falam da vida? Ou como a vivem? Sem aceitarem a morte haverá Vida? Ou haverá apenas um longo e tortuoso caminho em que se foge do evidente?
Eu não sei, mas tenho curiosidade. Porque para mim a morte sempre esteve presente na minha vida. Como todos os opostos...existem por uma razão superior que nem sempre apreendemos. Mas está ao nosso alcance. E é simples. Se existe é porque tem que existir. Se tem que existir e me transcende...é porque tenho que aceitar.
A morte é a outra face da vida.
Ambas faces da mesma moeda, uma moeda que nos foi dada como um tesouro. É sem dúvida o nosso maior tesouro. Agora pergunto-me eu...como conseguem usar uma moeda, utilizando apenas uma das suas faces? Tocando apenas uma delas? Olhando apenas uma delas?

Imaginem...
fechem os olhos, respirem...
inspirem e expirem até sentirem o vosso coração acalmar num ritmo melodicamente sereno...
Imaginem...
E se?
E se amanhã já não estiverem cá?
E se tiverem que partir subitamente para essa viagem sem regresso marcado?
Amaram o suficiente?
Sorriram muito?
Viveram cada momento como uma dádiva preciosa e única?
Telefonaram àquela pessoa de quem se têm lembrado mas que há muito nada sabem dela?
Abraçaram aquele amigo?
Beijaram o vosso filho?
Alimentaram a paixão que partilham com o outro?
Ou gritaram e enervaram-se porque o puto se atrasou - valeu a pena? o atraso eclipsou-se?
Ou adiaram o telefonema porque fica para amanhã?
Ou não abraçaram porque o local não era adequado?
Ou perderam-se em questõezinhas menores...o tampo da sanita que fica sempre para cima, aquela camisa que não está passada a ferro, o tubo da pasta de dentes que fica aberto, o barulho irritante dos saltos altos logo de manhã...
Ou entraram no café e nem o bom dia disseram?
Sorriram ao Duarte da portagem? Á Dª Maria da limpeza? Ao Manel porteiro? Ou nem os viram?
Repararam naquela pequenita flor amarela que se atreveu a irromper entre as pedras frias da calçada, gritando em todo o seu esplendor "Eu Sou"?
E se amanhã...tu não estiveres cá?
E se amanhã a outra pessoa não estiver cá?
Porque se toma a dádiva da vida física como certa e sempre presente, como se fosse para sempre?
Será porque se vive a vida com medo da morte?
E por causa desse medo, não se aceita a morte.
E por não se aceitar a morte, foge-se dela.
E a melhor fuga é ignorá-la, desprezar a sua existência, a sua certeza, a sua evidência.
Porque tememos o desconhecido...matamos a morte nas nossas vidas.
Então vivemos como se fosse banal estarmos vivos.
Como se amanhã todos estivéssemos vivos fisicamente. Sempre.
Estar vivo é uma dádiva.
Sei que posso partir a qualquer momento.
Sei que quem eu amo pode ter que partir também.
Os meus pais vão partir um dia. Eu não os posso impedir.
De nada me vale ter medo. De nada me vale viver a vida com esse medo. A morte estará lá, sempre. Por muito medo que tenha, ela não desaparece.
Quando comprámos o bilhete para aqui virmos fisicamente, na bilheteira informaram-nos que só havia bilhetes de ida e volta. Lembram-se?
Medo do quê?? De regressar?
Então, este tesouro que me foi dado, esta dádiva que é o presente, a minha vida, tem que ser vivido intensamente como um momento mágico e único que não se repetirá jamais.
E quando eu regressar, não quero levar bagagem. Apenas uma alma realizada. Mais completa. Mais brilhante.
Quero olhar para trás e saber que dei todo o amor que tinha para dar, distribui todos os sorrisos que pairavam nos meus lábios. Os meus braços não estarão pesados com os abraços que não dei, estarão leves como asas.
Os meus olhos brilhantes de criança terão absorvido todas as belezas únicas do dia a dia, as rotinas terão sido desempenhadas com todo o meu carinho e paciência, e o amor pelo meu companheiro terá sido sempre alimentado com paixão, com ardor, com vibração e sintonia...os meus filhos terão sido educados com toda a sabedoria que em mim residia...sei que por onde passei algum impacto causei, sei que fiz a diferença para alguém, sei que a luz que recebi não a guardei, partilhei-a e ao partilhá-la ela cresceu.
É assim que eu quero fazer a minha viagem de regresso a casa. Alegre e leve. Plena e realizada. E vocês? Querem ir assim ou vão carregados com as bagagens que trouxeram quando vieram? Não as usaram???

Respirem fundo. Abram os olhos. Sim...estão cá. Por enquanto...
Estejam cá plenamente...
Vivam a vida. Sem medo da morte.

Bom fim de semana amigos :)